domingo, 25 de maio de 2008

GRUPO DE MULHERES


"Sensação de vazio, fadiga, medo,depressão, fragilidade, bloqueio, ansiedade, falta de criatividade, relacionamentos conturbados, etc...,são sintomas cada vez mais frequentes entre as Mulheres Modernas, assustadas com o excesso de funções na família e na vida profissional. A angustia gerada pôr esse acumulo de atividades e responsabilidades não é recente, ele veio junto com o desenvolvimento de uma nova cultura que transformou a Mulher, levando-a em muitos momentos esquecer a docilidade, fragilidade e principalmente sua Força: força feminina geradora de vida".
OBJETIVO: O Objetivo desse grupo é possibilitar às Mulheres um espaço para encontro e expressão de sua Alma através das histórias de suas vidas, contadas e representadas pôr elas mesmas, onde cada uma com suas diferenças e peculiaridades, pode ser apoiada, compreendida, respeitada e amparada a todo instante.

TEMAS: O grupo sempre poderá trazer temas para os encontros.

sábado, 19 de janeiro de 2008

CURSO DE SHANTALA - MASSAGEM PARA BEBÊS


MASSAGEM PARA BEBÊS - SHANTALA
DESENVOLVIMENTO PSICOFISICO E A RELAÇÃO MÃE-PAI-BEBÊ
Curso de Massagem para Gestantes, Pais, Profissionais de Saúde e Educação

Curso para gestantes e pais
Data.......................................20/02/2008
Horário....................................15h00 às 17h00


Curso para profissionais de saúde e educação
Data.....................................22/02/2008
horário...................................17h30 às 20h30


Ambulatório de Massagem - SEMANAL

Semanal com 1 hora e 30 minutos de duração

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A IMPORTÂNCIA DO TOCAR NO DESENVOLVIMENTO PSICOFISICO DA CRIANÇA E NA RELAÇÃO MÃE-BEBÊ-PAI


A IMPORTANCIA DO TOCAR NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E NA RELAÇÃO MÃE – BEBÊ - PAI

“ Nos bebês, a pele transcende a tudo.
É ela o primeiro sentido.É ela que sabe...Ah, sim, é preciso dar atenção a pele, nutri-la com amor...”
F. Leboyer



Que os bebês não falam já sabemos, vai demorar um pouco para que a comunicação com eles se torne verbal, no entanto, hoje sabemos que antes de “vir à luz”, ele já percebe a claridade, escura, fica acordado, dorme, sonha e tem sensações; e se tem sensações há comunicação, então, porque não estabelecer comunicação através do toque.
O contato entre mãe e filho desde o inicio da gravidez fortalece a relação. Quanto mais forte for o vínculo, mais seguro o filho será, soltando-se mais no mundo, lidará melhor com suas próprias dificuldades.
Durante toda a gravidez o bebê acompanha todos os movimentos da mãe – andar, dançar, brigar, gritar, etc. , os momentos bons e ruins são sempre acompanhados pela criança desde o encontro entre óvulo e espermatozóide ( considerando que para algumas pessoas a vida já começa nesse primeiro encontro), portanto solidão não existe, a vida é pleno movimento, é estar aqui e ali.

“Nutrir a criança
Sim.
Mas não só com leite.
É preciso pagá-la no colo.
É preciso acaricia-la, embala-la.
É preciso massageá-la.

A pele do bebê é seu primeiro órgão dos sentidos, é seu contato com o mundo, é a sensação, é a comunicação. A pele transcende a tudo, por isso é preciso toca-la, é preciso alimenta-la para que atravesse a solidão dos primeiros meses de vida, não basta o leite, sem o toque, sem o carinho, mesmo com muito leite, ele poderá morrer de fome, de abandono, ela poderá definhar.
“É por meio do contato corporal com a mãe, que a criança faz seu primeiro contato com o mundo, através deste, passa a participar de uma nova dimensão da experiência, a do mundo do outro. É este contato corporal com o outro que fornece a fonte essencial de conforto, segurança, calor e crescente aptidão para novas experiências..., é preciso tocar”. (Montagu).
A criança privada de toque (sensação tátil), mais tarde poderá vir a ser um indivíduo desajustado nas suas relações com o outro, tanto física quanto psíquica. Lidar com o mundo, com situações boas ou ruins, requer recurso interno e talvez a forma mais adequada é iniciar a relação com o mundo através do toque.
Tocar é troca entre mãe e filho, os benefícios são mútuos – É dando que se recebe.
A ansiedade materna é diminuída, contribuindo dessa forma com o desenvolvimento tranquilo do filho.
Tocar também é saúde.
Em países com Nigéria, Uganda e Índia, a massagem é prática diária e milenar, passada de mãe para filha.
Na Rússia , cientistas chegaram à conclusão de que a massagem traz ao bebê um maior desenvolvimento do sistema nervoso central e conseqüentemente do potencial motor existente, portanto a massagem – o toque, prepara a criança para aquisição de algumas habilidades motoras que lhe darão a condição de engatinhar, isto porque a massagem fortalecerá determinados músculos destinados ao movimento de andar, a massagem é usada também em fisioterapia com grande sucesso.
Funções da pele:
Tecida de uma variedade de células resistentes e robustas, a pele protege os tecidos macios e moles do interior do corpo. Como as fronteiras de uma civilização, a pele é um local em que se travam escaramuças, e em que invasores encontram a resistência, aí se localiza nossa primeira e última linha de defesa.
- Base de receptores sensoriais, localização do mais delicado de todos os sentidos – o TATO;
- Fonte organizadora e processadora de informações;
- Mediador de sensações;
- Barreira entre organismo e ambiente externo;
- Fonte imunologica de hormônios para diferenciação de células protetoras;
- Barreira contra materiais tóxicos e organismos estranhos;
- Reguladora de temperatura;
- Autopurificadora, etc.
O s bebês tocados e massageados têm como beneficios:


Psíquicos:

- Fortalecimento do vínculo;
- Integração Psicofisica (corpo-mente);
- Delimita espaço interno (limites do EU);
- Auto conhecimento;
- Realidade objetiva ( o outro)
- Mais afetividade;
- Melhora ansiedade;
- Ausência de solidão;
- Livre fluxo de energia.





Físicos:

- maior agilidade e flexibilidade do corpo;
- a pele é tonificada e reforçada;
- a capacidade de percepção tátil é aumentada e o tônus revigorado
- a digestão e circulação são melhoradas;
- as cólicas poderão ser eliminadas;
- o crescimento do bebê é estimulado;
- o sono é mais tranqüilo;
- menos choro;
- Melhora o desenvolvimento motor;
- Mães mais tranquilas – A massagem é um momento de troca entre mãe e filho.
Bebês agitados e com certas dificuldades motoras podem ser beneficiados com o toque.
Hoje, em países como Estados Unidos e Austrália a massagem – toque vem sendo muito praticada em maternidades e hospitais, com resultados positivos.

O tocar – massagem também beneficiam casos especiais:
- Bebês com deficiência visual ou auditiva – através do toque percebe a si mesmo (reconhecendo o EU-TU ) , sentindo-se mais valorizado e amado,portanto: seguro.
- Bebês adotados – aproximação e segurança nesse novo momento, pais e filhos precisam estabelecer vínculo.
- Bebês que choram muito quando é pego no colo.
- Desmame repentino.
- Desmame difícil.
- Durante a dentição.
- Bebês que ficaram internados por longos períodos, inclusive bebês prematuros são beneficiados com o contato corporal com a mãe, ganhando peso em menos tempo.

Hoje, com a psicossomática acredita-se que muitas doenças são desencadeadas também pelo fator psicológico, isto é, a doença vem de dentro pra fora – mente –corpo; aqui, com o tocar faremos o caminho contrário corpo-mente, tratamos o corpo e a mente será beneficiada.


“ Desde os primeiros dias de vida,
Não muito tempo depois daquela primeira vez
Em que, ainda bebê, na interação do toque,
Mantinha silenciosos diálogos com o coração de minha mãe,
Tentei mostrar os meios
Pelos quais esta sensibilidade infantil,
Inalienável direito de nascimento de nosso ser,
Em mim era
Magnificada e mantida.”

William Wordsworth

MASSAGEM SHANTALA


SHANTALA

Shantala é o nome de uma massagem milenar de origem indiana, que foi trazida para o Ocidente pelo médico francês Frédérick Leboyer.
Shantala era uma bela indiana, paralítica, que massageava o bebê; Leboyer ficara encantado, como poderia , num país com tantas dificuldades, existir algo com tanta beleza e amor?
Leboyer observou, fotografou e divulgou no Ocidente a massagem e sua importância no desenvolvimento psicofísico do bebê.
Shantala é uma arte mas também é técnica.


TÉCNICA
A criança deverá estar completamente despida e em local aquecido, longe da corrente de ar, exceto no verão, quando a criança deverá receber o calor do sol; durante a massagem o bebê não poderá sentir frio.
A massagem é feita com óleo de amêndoas ou camomila previamente aquecidos, óleos minerais não deverão ser usados.
Após a massagem será sempre dado um banho na criança esta é a última etapa , a água causa a sensação de profundo relaxamento e bem estar, completando assim a sessão de massagem.
A massagem é feita pela manhã e à tarde, caso não possa ser feita duas vezes ao dia, aconselha-se que faça uma ou simplesmente nos finais de semana para a mãe que trabalha fora.
A massagem é feita com a mãe sentada no chão sobre algum tapete, edredon ou qualquer tecido, evita-se o contato direto com o solo; a mãe fica com as pernas esticadas e ombros relaxados, a criança fica sobre as pernas. Aconselha-se forrar as pernas com algo impermeável, pois a criança costuma “fazer xixi” – a sensação de bem-estar e relaxamento faz a criança sentir necessidade de esvaziar a bexiga.
Com qual idade pode-se iniciar a massagem:
Quando o bebê estiver com 30 dias de vida.


Em quais momentos não é possível fazer a Massagem Shantala:
- Quando o bebê ou criança estiver com febre ( a febre poderá ser sinal de infecção e nesses casos a massagem fará com que a infecção se espalhe devido a ativação da circulação);
- Quando o bebê ou criança estiver com o estômago cheio ou vazio, a sensação de conforto quanto a fome é importante para o relaxamento;
- Quando estiver com diarréia, pois a massagem estimula o intestino a funcionar;
- Quando com gripe muito forte;
- Quando pôr qualquer razão o médico contra indicar.
Quantas vezes repetir cada movimento:
O seu filho demonstrará o tempo para cada toque, aqueles que ele mais gostar poderá demorar mais um pouco

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

sábado, 5 de janeiro de 2008

PRIMEIROS PASSOS NA EXPERIÊNCIA DO TOCAR NO AMBULATÓRIO DO HOSPITAL MATERNIDADE DE INTERLAGOS


PRIMEIROS PASSOA NA EXPERIENCIA DO TOCAR NO

AMBULATÓRIO DO HOSPITAL MATERNIDADE DE

INTERLAGOS

Publicado na REVISTA HERMES - ISSM 1677-8979
INSTITUTO SEDES SAPIENTIAE
ANO: 2001 PÁG. 67 à 70






Este trabalho surgiu da minha experiência pessoal com o tocar, do meu sentimento pessoal em relação à maternidade e do meu encontro com Ana Maria – uma pessoa querida e importante no meu destino profissional.


“Desde os primeiros dias de vida<
Não muito tempo depois daquela primeira vez
Em que, ainda bebê, na interação do toque,
Mantinha silenciosos diálogos com o coração de minha mãe.
Tentei mostrar os meios
Pelos quais esta sensibilidade infantil,
Inalienável direito de nascimento de nosso ser,
Em mim era
Magnificada e mantida.”

(William Wordsworth the Prelude, 1850)


Que os bebês não falam já sabemos, vai demorar um pouco para que a comunicação com eles se torne verbal. No entanto, hoje sabemos que antes de “vir à luz”, ele já percebe a claridade, escuta, fica acordado, dorme, sonha e tem sensações há comunicação. Então, porque não estabelecer comunicação através do toque?

Já sabemos que o corpo fala, então, vamos incentivar o surgimento de um vínculo fortalecido entre mãe bebê, bebê e mundo.

Todos os movimentos que a mãe fizer tais como: andar, trabalhar, dançar, etc., a criança acompanhará, terá sensações, portanto, podemos dizer que a vida não começa com o nascimento, a vida apenas continua.
O bebê viveu meses num ambiente gostoso e acolhedor, então, se faz necessário não transformar a vida num deserto, num silêncio, um abandono.

“ Nutrir a criança?
Sim.
Mas não só com leite.
É preciso pegá-la no colo
É preciso acaricia-la, embalá-la.
É preciso massageá-la”.

( F. Leboyer)

A pele do bebê é seu primeiro “órgão dos sentidos”, é seu contato com o mundo, é a sensação, é a comunicação; nos bebês a pele transcende a tudo, pôr isso é preciso tocá-lo, é preciso alimentá-lo para que atravesse a solidão dos primeiros meses de vida. Não basta o leite: sem o toque, sem carinho, mesmo com muito leite, o bebê poderá morrer de fome, de abandono, poderá definhar.

“É pôr meio do contato corporal com a mãe, que a criança faz seu primeiro contato com o mundo; através deste, passa a participar de uma nova dimensão da experiência, a do mundo. É este contato corporal com o outro que fornece a fonte essencial de conforto, segurança, calor e crescente aptidão para novas experiências..., é preciso tocar”. (Montagu)

A criança privada de toque (sensação tátil), mais tardes poderá vir a ser um indivíduo desajustado nas suas relações com o outro, tanto física quanto psíquica. Lidar com o mundo, com situações boas ou ruins, requer recurso interno e talvez a forma mais adequada é iniciar a relação com o mundo através do toque.

Os bebês tocados e massageados, são bebês que dormem melhor, ganham mais peso, choram menos, são mais descontraídos e atentos ao que acontece a sua volta, além de muito carinhosos e afetivos com os pais. À medida que tocamos também seremos tocados.

O grupo de massagem acontece duas vezes pôr semana e tem pôr objetivo orientar mães e pais ( o grupo é aberto a pais de todas as idades) de crianças de 0 a 5 anos, sobre a importância do toque no desenvolvimento psíco-físico da criança; ensiná-la fazer a massagem para bebês - Shantala ou simplesmente tocar o seu filho e, ainda, é um momento onde falam de sua ansiedade e dificuldade em relação à maternidade; é principalmente, uma tentativa de estabelecer um vínculo fortalecido entre mãe e filho.

O trabalho acontece em três momentos:

1 – É feita uma palestra na sala de espera da ginecologia – obstetrícia, inclusive para adolescentes gestantes, e sala de pediatria, com objetivo de sensibilizá-los para o toque e sua importância.

2 – O grupo de massagem acontece após a palestra, cada grupo separadamente, os grupos acontecem de maneira que o enfoque é voltado para o momento que estão vivendo.

a) Adolescentes gestantes.

b) Gestantes

c) mães e bebês.

3 – as mães retornam após 3 meses para acompanhamento e avaliação dos resultados.

Os encaminhamentos são feitos pelo pediatra, ginecologista, aleitamento materno e pôr uma demanda espontânea.

As queixas são desde bebês ou crianças que choram muito, com cólicas, baixo peso até crianças agressivas, agitadas e bebês que nasceram prematuros.

Os resultados têm sido positivos.

O trabalho de massagem com crianças no Ambulatório, ainda é um “bebê”, está completando 1 ano, é muito tocado e massageado, com certeza será uma criança e um adulto capaz de enfrentar as novas experiências com alegria.

Bibliografia

1 – MONTAGU, A.. “Tocar O significado Humano da Pele”. Summus Editorial

2 – LEBOYER, F. “Shantala Uma arte tradicional Massagem para bebês”. Editora Ground.

3 – ACHERMAN, D. “Uma história Natural dos Sentidos”. Editora Bertrand Brasil

4 – “MANUAL DE MASSAGEM MAMÃE E BEBÊ’. Natura.
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Nesta entrevista sobre o tema de sua palestra no Saber 2007, Shirley fala do trabalho corporal como um aliado no trabalho que estabelece o bem-estar, a saúde e o equilíbrio. Fala de seu trabalho como psicoterapeuta corporal, dos benefícios do trabalho e de como tudo isso pode ser levado para a escola.



Educador e corpo, trabalho corporal com crianças
Shirley Martins dos Santos Silva - 23/9/2007




Shirley Martins dos Santos Silva é psicóloga, psicoterapeuta corporal com especialização em Cinesiologia Psicológica - Integração Fisio Psíquica - Inst.Sedes Sapientiae - SP. Prof. de Psicologia para ensino médio na Rede Estadual de Ensino desde 1.988. Atendimento em consultório particular fundamentado na Psicologia Analítica de C.G.Jung desde 1.990 Clinica com Bebes, Massagem Shanttala. Coordenava Grupos de Massagem para Bebes, Gestantes e Gestantes Adolescente do Ambulatório do Hosp. Maternidade de Interlagos - SES-SP. Palestras e Workshops, artigos Revista Hermes - Sedes Sapientiae.



Nesta entrevista sobre o tema de sua palestra no Saber 2007, Shirley fala do trabalho corporal como um aliado no trabalho que estabelece o bem-estar, a saúde e o equilíbrio. Fala de seu trabalho como psicoterapeuta corporal, dos benefícios do trabalho e de como tudo isso pode ser levado para a escola.





Aprendaki – Como o tema "o educador e o corpo: o trabalho corporal com crianças foi abordado no Saber 2007?



Shirley Martins dos Santos Silva – O Tema foi abordado em forma de oficina, com vivencias. Acredito que a vivência é uma forma de "imprimir" na memória corporal dos participantes os conceitos apresentados. Foi uma oficina lúdica, cada um pôde sentir as atividades e falar a respeito e cada um pôde sentir uma emoção – é essa emoção que acredito ter garantido o aprendizado. Procurei ainda relacionar a atividade a conceitos psicológicos duma linguagem simples sem ser de senso comum. Foi muito gratificante partilhar meus conhecimentos com todos.





Aprendaki – Quais os materiais podem ser utilizados para este tipo de oficina em sala de aula? Por quê?



Shirley Martins dos Santos Silva – Os materiais são os comuns, do dia a dia das crianças, são os mesmos usados para adultos, crianças e adolescentes: argila, massa de modelar, colagem, giz de cera,tintas diversas, papel, revista, além é claro de colchonetes quando possível; é válido improvisar também, desde que tenha um conhecimento prévio. Normalmente, usamos material em que se possa ser projetados uma "emoção" após as vivências.





Aprendaki – Por meio das atividades corporais trabalhamos a mente? Como?



Shirley Martins dos Santos Silva – Sem dúvida. Estamos num tempo onde não é mais possível entender o indivíduo separando corpo e mente. Cada vez mais, o trabalho de integração psicofísica comprova sua eficácia. Os estados do corpo afetam o funcionamento emocional, intelectual, a reflexão; afeta as atividades do indivíduo - esta é a visão somatopsíquica (os males do corpo afetam a mente), assim como as emoções e os estados psicológicos afetam diretamente as funções físicas do corpo – esta é a visão psicossomática (sofrimento mental causando males físicos), a integração psicofísica aceita as duas abordagens. Entendo que atividades corporais agem diretamente nos estados da mente, os novos estudos das neurociências sobre sono, sonhos, os estudos sobre a pele fazem com que eu acredite cada vez mais no trabalho corporal como uma forma de psicoterapia plenamente eficaz. Através do trabalho corporal o paciente vai, silenciosamente no seu ritmo, no seu tempo, elaborando questões que surgem durante as sessões, à medida que entra em contato com as sensações causadas pelo toque, com própria respiração, com seu próprio corpo. Tudo isso é uma forma de auto-conhecimento, de elaboração de estados inconscientes surgidos lentamente durante o trabalho corporal, é uma forma de regulação entre consciente e inconsciente, onde o uso da palavra é secundário.





Aprendaki – O educador precisa de uma especialização ou não para realizar o trabalho corporal com os alunos? O que é necessário?



Shirley Martins dos Santos Silva – Uma especialização é sempre bom, dá conhecimento teórico, técnico ao educador, fundamenta seu trabalho e dá mais segurança, no entanto, acredito que a vivência pessoal do educador com o trabalho corporal, com o próprio corpo é fundamental para trabalhar com alunos de qualquer idade; todo e qualquer trabalho com humanos, requer uma experiência pessoal; é a partir da própria vivência que cada um se diferencia e aí compreende o outro. Existem alguns cursos em São Paulo, mas o fundamental é a disponibilidade do educador de trabalhar o próprio corpo, entender as técnicas corporais e projetivas como um método eficaz e comprovado de compreensão psicológica, claro que isso não é fazer psicoterapia em sala de aula, mas uma forma de trabalho plenamente eficaz.





Aprendaki – Que resultados os educadores podem esperar do trabalho corporal com as crianças?



Shirley Martins dos Santos Silva – Os resultados são diversos, tanto de ordem física quanto psíquica. Entendo que cada aluno é um indivíduo com características diferentes. Os alunos ficam mais tranqüilos – logo, mais atentos durante as aulas, mais afetivos, mais conscientes dos limites entre o Eu e o Outro, passam a ter maior concentração, maior vínculo afetivo com todos que estão no seu convívio e menos agressividade, etc. Crianças com TDAH são beneficiados com esse tipo de trabalho, crianças especiais também. O trabalho corporal possibilita uma forma de comunicação mais respeitosa e tranqüila entre os alunos, entre pessoas em geral.





Aprendaki – Qual a importância do contato corporal para o auto-conhecimento? Que benefícios se obtêm?



Shirley Martins dos Santos Silva – Imaginemos: indivíduos que não conseguem abraçar a um amigo ou olhar em seus olhos – enfim, aceitar o contato corporal como uma forma saudável de comunicação e afeto; ou ainda, crianças que não são tocadas pelos pais, depressivos que se isolam, doentes mentais... Em todas essas situações a pessoa adoece e entristece, isso falando de uma maneira simplista. O contrário disso é o toque, o trabalho corporal como forma de saúde, de contato consigo mesmo, de uma escuta que obedece ao próprio ritmo, ao próprio tempo. O trabalho corporal possibilita ao indivíduo uma maior observação de seus processos internos (físicos e psíquicos), sem julgamentos de certo ou errado, estabelece suas fronteiras e limites; a partir daí suas relações com o mundo e consigo passam a ser vistas e entendidas por um observador interno adequado e tranqüilo, um curador interno. isso possibilita uma vida mental mais organizada, mais feliz. O autoconhecimento traz felicidade, menos culpa... É, portanto, curador.





Aprendaki – Como é o trabalho de uma psicoterapeuta corporal?



Shirley Martins dos Santos Silva – O trabalho de uma psicoterapeuta corporal é baseado na psicologia enquanto ciência. É um psicólogo de formação. No trabalho usamos técnicas corporais para possibilitar ao paciente maior auto-conhecimento, maior compreensão do eu, muitas vezes, não é necessário falar, mas ouvir o próprio corpo. No meu caso, oriento todo o meu trabalho na Psicologia Analítica de Jung e uso as técnicas corporais da integração psicofísica, técnicas de relaxamento, toques sutis – são toques suaves, obedecendo a uma técnica de observação do próprio corpo. É mais uma forma de psicoterapia, ou seja, pelo contato corporal o paciente passa a ter uma escuta interior maior; sempre ao final de cada sessão, o paciente pode falar dos seus sentimentos, sensações, emoções e descobertas durante a sessão ou de sessões anteriores. É respeitado o ritmo do paciente e sua disponibilidade em receber o trabalho corporal e falar sobre ele. É uma troca significativa entre paciente e terapeuta.





Aprendaki – O trabalho corporal pode ser realizado para tratar problemas de saúde? Por quê?



Shirley Martins dos Santos Silva – Sem dúvida, evidentemente não podemos garantir cura absoluta. Acredito que a cura absoluta fica com Deus... Não somos deuses, mas podemos garantir uma grande melhora e, muitas vezes, a cura que se dá pela compreensão interior do individuo. Sabemos que depressão, ansiedade, medos, stress, tudo isso é melhorado com o trabalho corporal. Sabemos que existem trabalhos com pacientes com câncer através de meditações de cura, que é um trabalho corporal e tem excelentes resultados. Sabemos que o trabalho corporal utiliza os sentidos e isso possibilita uma reação neurológica, possivelmente, liberação de hormônios moduladores de estados cerebrais. Isso já é muita coisa, mas estamos cada vez mais descobrindo sobre o trabalho corporal em saúde, é mais um caminho.


Shirley Martins dos Santos Silva - 23/9/2007



Nesta entrevista sobre o tema de sua palestra no Saber 2007, Shirley fala do trabalho corporal como um aliado no trabalho que estabelece o bem-estar, a saúde e o equilíbrio. Fala de seu trabalho como psicoterapeuta corporal, dos benefícios do trabalho e de como tudo isso pode ser levado para a escola.





Aprendaki – Como o tema "o educador e o corpo: o trabalho corporal com crianças foi abordado no Saber 2007?



Shirley Martins dos Santos Silva O Tema foi abordado em forma de oficina, com vivencias. Acredito que a vivência é uma forma de "imprimir" na memória corporal dos participantes os conceitos apresentados. Foi uma oficina lúdica, cada um pôde sentir as atividades e falar a respeito e cada um pôde sentir uma emoção – é essa emoção que acredito ter garantido o aprendizado. Procurei ainda relacionar a atividade a conceitos psicológicos duma linguagem simples sem ser de senso comum. Foi muito gratificante partilhar meus conhecimentos com todos.





Aprendaki – Quais os materiais podem ser utilizados para este tipo de oficina em sala de aula? Por quê?



Shirley Martins dos Santos Silva – Os materiais são os comuns, do dia a dia das crianças, são os mesmos usados para adultos, crianças e adolescentes: argila, massa de modelar, colagem, giz de cera,tintas diversas, papel, revista, além é claro de colchonetes quando possível; é válido improvisar também, desde que tenha um conhecimento prévio. Normalmente, usamos material em que se possa ser projetados uma "emoção" após as vivências.





Aprendaki – Por meio das atividades corporais trabalhamos a mente? Como?



Shirley Martins dos Santos Silva – Sem dúvida. Estamos num tempo onde não é mais possível entender o indivíduo separando corpo e mente. Cada vez mais, o trabalho de integração psicofísica comprova sua eficácia. Os estados do corpo afetam o funcionamento emocional, intelectual, a reflexão; afeta as atividades do indivíduo - esta é a visão somatopsíquica (os males do corpo afetam a mente), assim como as emoções e os estados psicológicos afetam diretamente as funções físicas do corpo – esta é a visão psicossomática (sofrimento mental causando males físicos), a integração psicofísica aceita as duas abordagens. Entendo que atividades corporais agem diretamente nos estados da mente, os novos estudos das neurociências sobre sono, sonhos, os estudos sobre a pele fazem com que eu acredite cada vez mais no trabalho corporal como uma forma de psicoterapia plenamente eficaz. Através do trabalho corporal o paciente vai, silenciosamente no seu ritmo, no seu tempo, elaborando questões que surgem durante as sessões, à medida que entra em contato com as sensações causadas pelo toque, com própria respiração, com seu próprio corpo. Tudo isso é uma forma de auto-conhecimento, de elaboração de estados inconscientes surgidos lentamente durante o trabalho corporal, é uma forma de regulação entre consciente e inconsciente, onde o uso da palavra é secundário.





Aprendaki – O educador precisa de uma especialização ou não para realizar o trabalho corporal com os alunos? O que é necessário?



Shirley Martins dos Santos Silva – Uma especialização é sempre bom, dá conhecimento teórico, técnico ao educador, fundamenta seu trabalho e dá mais segurança, no entanto, acredito que a vivência pessoal do educador com o trabalho corporal, com o próprio corpo é fundamental para trabalhar com alunos de qualquer idade; todo e qualquer trabalho com humanos, requer uma experiência pessoal; é a partir da própria vivência que cada um se diferencia e aí compreende o outro. Existem alguns cursos em São Paulo, mas o fundamental é a disponibilidade do educador de trabalhar o próprio corpo, entender as técnicas corporais e projetivas como um método eficaz e comprovado de compreensão psicológica, claro que isso não é fazer psicoterapia em sala de aula, mas uma forma de trabalho plenamente eficaz.





Aprendaki – Que resultados os educadores podem esperar do trabalho corporal com as crianças?



Shirley Martins dos Santos Silva – Os resultados são diversos, tanto de ordem física quanto psíquica. Entendo que cada aluno é um indivíduo com características diferentes. Os alunos ficam mais tranqüilos – logo, mais atentos durante as aulas, mais afetivos, mais conscientes dos limites entre o Eu e o Outro, passam a ter maior concentração, maior vínculo afetivo com todos que estão no seu convívio e menos agressividade, etc. Crianças com TDAH são beneficiados com esse tipo de trabalho, crianças especiais também. O trabalho corporal possibilita uma forma de comunicação mais respeitosa e tranqüila entre os alunos, entre pessoas em geral.





Aprendaki – Qual a importância do contato corporal para o auto-conhecimento? Que benefícios se obtêm?



Shirley Martins dos Santos Silva – Imaginemos: indivíduos que não conseguem abraçar a um amigo ou olhar em seus olhos – enfim, aceitar o contato corporal como uma forma saudável de comunicação e afeto; ou ainda, crianças que não são tocadas pelos pais, depressivos que se isolam, doentes mentais... Em todas essas situações a pessoa adoece e entristece, isso falando de uma maneira simplista. O contrário disso é o toque, o trabalho corporal como forma de saúde, de contato consigo mesmo, de uma escuta que obedece ao próprio ritmo, ao próprio tempo. O trabalho corporal possibilita ao indivíduo uma maior observação de seus processos internos (físicos e psíquicos), sem julgamentos de certo ou errado, estabelece suas fronteiras e limites; a partir daí suas relações com o mundo e consigo passam a ser vistas e entendidas por um observador interno adequado e tranqüilo, um curador interno. isso possibilita uma vida mental mais organizada, mais feliz. O autoconhecimento traz felicidade, menos culpa... É, portanto, curador.





Aprendaki – Como é o trabalho de uma psicoterapeuta corporal?



Shirley Martins dos Santos Silva – O trabalho de uma psicoterapeuta corporal é baseado na psicologia enquanto ciência. É um psicólogo de formação. No trabalho usamos técnicas corporais para possibilitar ao paciente maior auto-conhecimento, maior compreensão do eu, muitas vezes, não é necessário falar, mas ouvir o próprio corpo. No meu caso, oriento todo o meu trabalho na Psicologia Analítica de Jung e uso as técnicas corporais da integração psicofísica, técnicas de relaxamento, toques sutis – são toques suaves, obedecendo a uma técnica de observação do próprio corpo. É mais uma forma de psicoterapia, ou seja, pelo contato corporal o paciente passa a ter uma escuta interior maior; sempre ao final de cada sessão, o paciente pode falar dos seus sentimentos, sensações, emoções e descobertas durante a sessão ou de sessões anteriores. É respeitado o ritmo do paciente e sua disponibilidade em receber o trabalho corporal e falar sobre ele. É uma troca significativa entre paciente e terapeuta.





Aprendaki – O trabalho corporal pode ser realizado para tratar problemas de saúde? Por quê?



Shirley Martins dos Santos Silva – Sem dúvida, evidentemente não podemos garantir cura absoluta. Acredito que a cura absoluta fica com Deus... Não somos deuses, mas podemos garantir uma grande melhora e, muitas vezes, a cura que se dá pela compreensão interior do individuo. Sabemos que depressão, ansiedade, medos, stress, tudo isso é melhorado com o trabalho corporal. Sabemos que existem trabalhos com pacientes com câncer através de meditações de cura, que é um trabalho corporal e tem excelentes resultados. Sabemos que o trabalho corporal utiliza os sentidos e isso possibilita uma reação neurológica, possivelmente, liberação de hormônios moduladores de estados cerebrais. Isso já é muita coisa, mas estamos cada vez mais descobrindo sobre o trabalho corporal em saúde, é mais um caminho.





* Entrevista realizada pela jornalista Renata Del Vecchio, colaboradora do Portal Educacional Aprendaki

Oficina de Corpo


Oficina de Corpo
O educador e o Corpo: O trabalho Corporal com Crianças.


Sabemos que o tato é um dos primeiros órgãos do sentido a ser formado, conhecemos a importância e os benefícios das atividades corporais como meio para maior integração corpo-mente no desenvolvimento do indivíduo desde a mais tenra idade, portanto, a partir da própria vivência, o educador (indivíduo) encontrará condições para elaborar atividades corporais para crianças e alunos em geral.
O trabalho é baseado em atividades corporais com música, relaxamento, atividade manual – pintura, argila, massa de modelar.
O contato com si mesmo através do trabalho corporal proporciona resgate da auto estima, tranquilidade e auto - conhecimento

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008


Nêmesis
Deusa Grega - Representa a Justiça Divina.
Nêmesis era a Deusa da ética, a personificação da retribuição e da justiça distributiva.

"Sensação de vazio, fadiga, medo,depressão, fragilidade, bloqueio, ansiedade, falta de criatividade, relacionamentos conturbados, etc...,são sintomas cada vez mais frequentes entre as Mulheres Modernas, assustadas com o excesso de funções na família e na vida profissional. A angustia gerada pôr esse acumulo de atividades e responsabilidades não é recente, ele veio junto com o desenvolvimento de uma nova cultura que transformou a Mulher, levando-a em muitos momentos esquecer a docilidade, fragilidade e principalmente sua Força: força feminina geradora de vida".

OBJETIVO: O Objetivo desse grupo é possibilitar às Mulheres um espaço para encontro e expressão de sua Alma através das histórias de suas vidas, contadas e representadas pôr elas mesmas, onde cada uma com suas diferenças e peculiaridades, pode ser apoiada, compreendida, respeitada e amparada a todo instante.
TEMAS: O grupo sempre poderá trazer temas para os encontros.
LOCAL E INFORMAÇÕES
R. Molière, 212 - Jd Marajoara
(0xx11) 5548-1516 / 9140-9615
email : shirleymartinssilva@ig.com.br
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HORÁRIO: A ser combinado, conforme o grupo.
FACILITADORA: Shirley Martins - Psicóloga - CRP 06/36225-5
Psicoterapeuta de orientação junguiana
Especialização em Cinesiologia Psicológica - Integração Fisiopsiquica- Inst. Sedes Sapientiae -SP
INVESTIMENTO MENSAL: R$ 150,00

Toques que fazem o corpo falar Revista Hermes - Instituto Sedes Sapientiae - SP


Toques que fazem o Corpo Falar

Shirley Martins S. Silva

Este relato surgiu do encantamento que é o trabalho corporal; quando a“boca” sente-se incapacitada de falar sobre a vida – sentimentos, alegria, tristezas, raiva, dor, agressividade, medo, etc. – o corpo assume seu lugar, primeiro em forma de “dor”, depois de alegria e contentamento.

S. tem 26 anos, formação superior, hoje trabalha na área de contabilidade de uma multinacional, é inteligente e perfeccionista; fisicaamente é alta magra, de gestos delicados, segue os padrões de beleza da atualidade. No entanto, até então, o seu corpo assumia todas as angústias vividas nesses 26 anos.

S. queixa-se de depressão.

“Todo sintoma tem um conteúdo psíquico e se manisfesta através do corpo...”(1)

“Os sintomas, é verdade, podem usar uma grande variedade de forma de expressão e, para fazê-lo, todos se valem do corpo para tornar visíveis e palpáveis os conteúdos subjacentes da consciência”. (2)

“A depressão provoca o confronto dos pacientes com o polo mortal da vida...em sua vida, é o polo oposto que se manifesta, ou seja, a apatia, a rigidez, a solidão, os pensamentos voltados para a morte. Na verdade, embora esse aspecto mortal da vida seja sentido com intensidade na depressão, ela nada mais é do que a própria sombra do paciente. “(3)

S. diz sentir-se “estranha”, “esquisita” diante dos outros, diz que tem vergonha de ser olhada pelo outro, que o seu andar é estranho e que até então isolava do contato com o outro, mas que isso passou a incomodá-la, viver sozinha já não está servindo, quer mudar. Questionada sobre o que é ser “esquisita”, S. responde que todos na empresa em que trabalhou diziam que era “esquisita”.
Diante da dificuldade de S. falar sobre seus sentimentos e seu dia-a-dia, foi proposto o trabalho corporal. S. aceitou prontamente. Propus um relaxamento, foi-lhe aplicado o exercício do relaxamento: o carimbo. (4) S. não teve dificuldade em deitar, muito embora seu corpo mantivesse uma rigidez visível pôr mm e pôr ela mesma.

Passamos umas três sessões fazendo o “exercício do carimbo”, onde foi proposto a S. que caso sentisse necessidade, a escrita, a pintura ou argila serviriam como forma de expressão, uma vez que ainda não conseguia expressar-se através da fala. S. passou a comunicar-se consigo e com o mundo através do exercício corporal e da escrita, passou algumas sessões trazendo escritos que fizera durante a semana, e a cada dia podíamos notar o quanto S. estava entrando em contato com o seu “esquisito”, “estranho”.

Quando S. chegava às sessões, após os cumprimentos dizia que não queria falar, queria fazer exercício corporal, aceitava todos os exercícios propostos com muita gratidão, dizia que a cada dia estava sentindo-se melhor, que já começava perceber melhor seu corpo e que já conseguia algumas vezes olhar para o outro.

Em todas as sessões S. falava do quanto os exercícios estavam lhe fazendo bem: “Estou me sentindo bem melhor”; encontramos nós duas o caminho para o bem-viver, as palavras já não eram fundamentais, e a cada encontro, o corpo começava a pronunciar suas primeiras palavras de integração.

Num dos encontros, foi proposto a S. que usasse a bolinha de tênis para massagear o seu corpo; Não havia um modo especifico, ela poderia criar; S. então, deitou-se no colchão sobre a bolinha e, como numa dança, começou a massagear sua pélvis da forma que queria e sentia. Passou alguns minutos massageando-se, criando movimentos ao longo do corpo, até sentir-se satisfeita. Quando parou, S. deitou-se alguns minutos; deixei ao seu lado, argila, lápis de cor, caneta e papel. S. preferiu argila, começou a manipular a massa com dificuldade, senti que a emoção tomava conta de seus movimentos e de seu corpo. S. começou a chorar e disse que tinha dificuldade com argila, não sabia fazer nada, não sabia dar forma; pela primeira vez S. colocou em palavras todas as páginas escritas anteriormente. Apenas ouvi em silencio: S. parecia uma criança, uma criança que começava a se dispor a entrar no caminho do seu próprio crescimento.

No encontro seguinte, S. disse que pela primeira vez falara de todas as angústias e medos e que estava sentindo-se melhor. Falara para mim, depois para o namorado, mas antes de tudo, teve a coragem de falar para si mesma. Foi só então que propus a Calatonia de Pethö Sándor: sentia-me pronta para tocar, e S. para ser tocada, propus Calatonia nos pés.

“No original grego o verbo “Khalaó” indica “relaxação” e também “alimentação”. “afastar-se do estado de ira, fúria, violência”, ‘Abrir uma porta “, “desatar as amarras de um odre”, “deixar ir “, “perdoar aos pais”, “retirar todos os véus dos olhos “ , etc. (5)

Na sessão seguinte à aplicação da Calatonia, que recebeu de corpo e alma, S. me disse: “Senti todo meu corpo, parece que o meu andar se modificou, senti os meus passos e durante a semana pude trabalhar melhor “.

Para mim, as palavras de S. confirmaram com muita propriedade, o quanto é eficiente o trabalho corporal. S. sentiu em seu corpo a definição da Calatonia.

Continuamos a trabalhar somente a Calatonia. Ao término das sessões S. não queria falar, preferia ir embora, atitude que sempre respeitei. No de cada sessão seguinte, ela dizia que o trabalho corporal estava lhe fazendo muito bem, e num desses encontros chegou a me dizer: “Com o trabalho corporal o meu corpo está falando muito mais que a minha boca”.

O encontro com S. me fazia entender cada vez mais as palavras do Dr. Sándor:
“A nossa linguagem é rica em denominações e caracterizações emprestadas de categorias da sensibilidade cutânea para descrever vivências afetivas ( duro ,mole, cru, ardente, frio, suave, constante, morno, quente, dolorido, etc.). Há aqui as mais complexas sensações cutâneas que nem podem ser postas em palavras de modo adequado.......A origem ectodermica , comum com o sistema nervoso, explica a possibilidade de uma fenomenologia ampla, que pode ser observada no decorrer da estimulação Calatonica”. (6).

“O contato corporal diferenciado e controlado com o terapeuta permite o desenvolvimento de uma efetiva ressonância bipessoal e a variedade do material surgido, fornece bases para diálogos em termos de exploração biográfica, levantamento amplo e estratificado da situação atual e subsequente planejamento ou preparo dos próximos passos da terapia.”(7)

Após algum tempo, S. diz que vai parar a terapia porque perdeu o emprego, e não aceita continuar a ser atendida sem pagamento; após mais algumas semanas pergunta se pode ser atendida no Posto de saúde onde trabalho como psicóloga, mesmo sabendo que lá o trabalho corporal não terá prosseguimento. S. passa a ser atendida uma vez pôr semana e diz que tão logo volte a trabalhar, quer voltar a ser atendida no consultório.

Quando arrumou emprego, iniciamos nossa Segunda etapa de trabalho corporal, aquele que faz o corpo falar; serão agora duas sessões pôr semana, decisão tomada em conjunto; são duas sessões pôr semana onde o nosso diálogo é a Calatonia.

Nesse retorno, S. está mais tranquila e aberta para o mundo, afetividade, agressividade e o contato com o outro já podem ser percebidos: pôr ela e pôr mim.

Passamos aproximadamente um mês e meio só fazendo Catalogai, o toque sendo a única “palavra”emitida.

Mais uma vez, as palavras de outro mestre podem ser compreendidas pôr mim:

“Nosso trabalho corporal visa, em várias dimensões, reintegrar o paciente consigo mesmo. Em primeiro lugar, o trabalho corporal reconecta o homem com sua natureza mais imediata, o corpo físico, origem do eu corporal, fornecendo sensações e informações que orientam o indivíduo se ele as observa adequadamente. Nesse sentido, o trabalho corporal atua como um instrumento de profilaxia da saúde permitindo a reorientação do cuidado consigo. “ (8)

Após esse mês e meio de calatonia, S. está mais próxima de si mesma e do outro; percebe mais o que está a sua volta, exprime através das palavras acontecimentos da sua infância e do seu dia-a-dia onde o corporal cedeu lugar a palavra; S. fala dos colegas de trabalho, especialmente de um rapaz que senta na mesa a sua frente: “ele é palhaço, arrumadinho, parece que saiu do banho o dia inteiro, faz tudo pra chamar a atenção de todos e de mim; passa o tempo todo me olhando, finjo que não vejo, morro de raiva dele, não sei se é porque é bonito, porque ele é muito bonito! Mas é muito metido, tenho vontade de socar a cara dele; vou me encolhendo e me sentindo pequena”; pela primeira vez entra em contato coma sua “irritação”de forma mais consciente.

S. está sempre muito arrumada e elegante, parece que acabou de sair do banho.

“Tudo o que os pacientes sentem como num acontecimento exterior é uma projeção da sua própria sombra ( vozes, ataques, perseguições, hipnotizados, intenções assassinas e assim pôr diante) . “(1)

na sessão seguinte, S. fala um pouco da sua infância, diz Ter lembrado após o trabalho corporal de muitas coisas, fala do pai que foi alcoólatra, diz que hoje não bebe mais com tanta freqüência, mas se irrita muito com ele; “ele é muito egoísta, tudo tem que ser pra ele e do jeito dele, do jeito que ele quer”.
Hoje o pai é aposentado. A mãe foi professora muitos anos. No período que os pais trabalhavam, S. ficava em casa com os irmão, cuidava da casa e deles; diz que desde aquela época fazia tudo bem feito e sozinha, a mãe estava sempre na escola dando aula, e ela ficava sempre sozinha. Quando foi para a primeira série, a mãe a levava à escola, que era longe. Num dos primeiros dias de aula, a mãe foi embora e ela ficou: “minha mãe me esqueceu naquele lugar, senti tanto medo e pavor, que decidi aprender a ler e escrever o mais rápido possível, pra nunca mais ser esquecida naquele lugar, se voltasse a acontecer, saberia pegar o 6onibus sozinha”.

S. diz Ter aprendido a ler e escrever em seis meses, “no meio do ano já estava alfabetizada e a professora me mandava para fora para não atrapalhar; eu saí e ficava sozinha, algumas vezes brincava com a filha do caseiro da escola. Fui crescendo e me sentindo esquisita e sozinha; no colégio aprendia tudo muito rápido, os colegas só queriam ficar comigo quando tínhamos que fazer prova em dupla, pois sabiam que eu sempre tirava nota boa; muitas vezes a professora me liberava das provas; sempre foi assim, aprendia tudo rápido; fui à faculdade, comprei meu carro, tudo sozinha, jamais me ajudaram; minha mãe faz tudo para meu irmão, pra mim nada”.

Mais uma vez, aprendo na prática corporal as palavras do outro mestre:

“Enquanto mãe e filho ainda formam uma identidade indiferenciada, a relação primal funciona para a criança como possibilidade de relacionamento com seu próprio corpo, com o seu próprio Self, com o “eu”e com o mundo, tudo ao mesmo tempo. A relação primal é a base ontogenética da experiência de estar no próprio corpo, de estar – com -um- self, de estar – unido, de estar – no – mundo”. (9)

continuamos a cada sessão usando a Calatonia como forma de expressão. Após tantas palavras, s. solocita que façamos trabalho corporal, é assim que S. chama a Calatonia; “sinto-me anestesiada, quando ando sinto o meu corpo, é muito bom’.

O corpo continua falando verdadeiramente sobre a vida.

“ Tento, tanto quanto possa, não ter idéias pré-concebidas e não usar métodos já prontos e Ter a idéia de que, eu mesmo, determinarei meu método; procederei da forma como sou ‘.
Carl Gustav Jung

Bibliografia

1 . Dethelefsen, Thorwald - “Dahle, Rudiger, a doença como Caminho”, Ed. Cultrix – SP, 10 Edicão – 1997

2 . Ib.
3 . Ib.
4 . Farah, Rosa Maria, “Integração psicofísica: o trabalho corporal e a Psicologia de C.G.Jung”. Editora Companhia Ilimitada / Robe Editorial, São Paulo – 1.995
5 . Sándor Petho, “Técnicas de relaxamento”, Vetor – editora Psico – Pedagógica Ltda, São Paulo.
6 . Ib.
7 . Ib.
8 . Cortese, Fernando, “Cinesiologia Psicologica, Integração Fisiopsiquica, Hermes n. 3”. Instituto Sedes Sapientiae – 1.998, São Paulo.