sábado, 5 de janeiro de 2008

PRIMEIROS PASSOS NA EXPERIÊNCIA DO TOCAR NO AMBULATÓRIO DO HOSPITAL MATERNIDADE DE INTERLAGOS


PRIMEIROS PASSOA NA EXPERIENCIA DO TOCAR NO

AMBULATÓRIO DO HOSPITAL MATERNIDADE DE

INTERLAGOS

Publicado na REVISTA HERMES - ISSM 1677-8979
INSTITUTO SEDES SAPIENTIAE
ANO: 2001 PÁG. 67 à 70






Este trabalho surgiu da minha experiência pessoal com o tocar, do meu sentimento pessoal em relação à maternidade e do meu encontro com Ana Maria – uma pessoa querida e importante no meu destino profissional.


“Desde os primeiros dias de vida<
Não muito tempo depois daquela primeira vez
Em que, ainda bebê, na interação do toque,
Mantinha silenciosos diálogos com o coração de minha mãe.
Tentei mostrar os meios
Pelos quais esta sensibilidade infantil,
Inalienável direito de nascimento de nosso ser,
Em mim era
Magnificada e mantida.”

(William Wordsworth the Prelude, 1850)


Que os bebês não falam já sabemos, vai demorar um pouco para que a comunicação com eles se torne verbal. No entanto, hoje sabemos que antes de “vir à luz”, ele já percebe a claridade, escuta, fica acordado, dorme, sonha e tem sensações há comunicação. Então, porque não estabelecer comunicação através do toque?

Já sabemos que o corpo fala, então, vamos incentivar o surgimento de um vínculo fortalecido entre mãe bebê, bebê e mundo.

Todos os movimentos que a mãe fizer tais como: andar, trabalhar, dançar, etc., a criança acompanhará, terá sensações, portanto, podemos dizer que a vida não começa com o nascimento, a vida apenas continua.
O bebê viveu meses num ambiente gostoso e acolhedor, então, se faz necessário não transformar a vida num deserto, num silêncio, um abandono.

“ Nutrir a criança?
Sim.
Mas não só com leite.
É preciso pegá-la no colo
É preciso acaricia-la, embalá-la.
É preciso massageá-la”.

( F. Leboyer)

A pele do bebê é seu primeiro “órgão dos sentidos”, é seu contato com o mundo, é a sensação, é a comunicação; nos bebês a pele transcende a tudo, pôr isso é preciso tocá-lo, é preciso alimentá-lo para que atravesse a solidão dos primeiros meses de vida. Não basta o leite: sem o toque, sem carinho, mesmo com muito leite, o bebê poderá morrer de fome, de abandono, poderá definhar.

“É pôr meio do contato corporal com a mãe, que a criança faz seu primeiro contato com o mundo; através deste, passa a participar de uma nova dimensão da experiência, a do mundo. É este contato corporal com o outro que fornece a fonte essencial de conforto, segurança, calor e crescente aptidão para novas experiências..., é preciso tocar”. (Montagu)

A criança privada de toque (sensação tátil), mais tardes poderá vir a ser um indivíduo desajustado nas suas relações com o outro, tanto física quanto psíquica. Lidar com o mundo, com situações boas ou ruins, requer recurso interno e talvez a forma mais adequada é iniciar a relação com o mundo através do toque.

Os bebês tocados e massageados, são bebês que dormem melhor, ganham mais peso, choram menos, são mais descontraídos e atentos ao que acontece a sua volta, além de muito carinhosos e afetivos com os pais. À medida que tocamos também seremos tocados.

O grupo de massagem acontece duas vezes pôr semana e tem pôr objetivo orientar mães e pais ( o grupo é aberto a pais de todas as idades) de crianças de 0 a 5 anos, sobre a importância do toque no desenvolvimento psíco-físico da criança; ensiná-la fazer a massagem para bebês - Shantala ou simplesmente tocar o seu filho e, ainda, é um momento onde falam de sua ansiedade e dificuldade em relação à maternidade; é principalmente, uma tentativa de estabelecer um vínculo fortalecido entre mãe e filho.

O trabalho acontece em três momentos:

1 – É feita uma palestra na sala de espera da ginecologia – obstetrícia, inclusive para adolescentes gestantes, e sala de pediatria, com objetivo de sensibilizá-los para o toque e sua importância.

2 – O grupo de massagem acontece após a palestra, cada grupo separadamente, os grupos acontecem de maneira que o enfoque é voltado para o momento que estão vivendo.

a) Adolescentes gestantes.

b) Gestantes

c) mães e bebês.

3 – as mães retornam após 3 meses para acompanhamento e avaliação dos resultados.

Os encaminhamentos são feitos pelo pediatra, ginecologista, aleitamento materno e pôr uma demanda espontânea.

As queixas são desde bebês ou crianças que choram muito, com cólicas, baixo peso até crianças agressivas, agitadas e bebês que nasceram prematuros.

Os resultados têm sido positivos.

O trabalho de massagem com crianças no Ambulatório, ainda é um “bebê”, está completando 1 ano, é muito tocado e massageado, com certeza será uma criança e um adulto capaz de enfrentar as novas experiências com alegria.

Bibliografia

1 – MONTAGU, A.. “Tocar O significado Humano da Pele”. Summus Editorial

2 – LEBOYER, F. “Shantala Uma arte tradicional Massagem para bebês”. Editora Ground.

3 – ACHERMAN, D. “Uma história Natural dos Sentidos”. Editora Bertrand Brasil

4 – “MANUAL DE MASSAGEM MAMÃE E BEBÊ’. Natura.

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Shirley