
PRIMEIROS PASSOA NA EXPERIENCIA DO TOCAR NO
AMBULATÓRIO DO HOSPITAL MATERNIDADE DE
INTERLAGOS
Publicado na REVISTA HERMES - ISSM 1677-8979
INSTITUTO SEDES SAPIENTIAE
ANO: 2001 PÁG. 67 à 70
Este trabalho surgiu da minha experiência pessoal com o tocar, do meu sentimento pessoal em relação à maternidade e do meu encontro com Ana Maria – uma pessoa querida e importante no meu destino profissional.
“Desde os primeiros dias de vida<
Não muito tempo depois daquela primeira vez
Em que, ainda bebê, na interação do toque,
Mantinha silenciosos diálogos com o coração de minha mãe.
Tentei mostrar os meios
Pelos quais esta sensibilidade infantil,
Inalienável direito de nascimento de nosso ser,
Em mim era
Magnificada e mantida.”
(William Wordsworth the Prelude, 1850)
Que os bebês não falam já sabemos, vai demorar um pouco para que a comunicação com eles se torne verbal. No entanto, hoje sabemos que antes de “vir à luz”, ele já percebe a claridade, escuta, fica acordado, dorme, sonha e tem sensações há comunicação. Então, porque não estabelecer comunicação através do toque?
Já sabemos que o corpo fala, então, vamos incentivar o surgimento de um vínculo fortalecido entre mãe bebê, bebê e mundo.
Todos os movimentos que a mãe fizer tais como: andar, trabalhar, dançar, etc., a criança acompanhará, terá sensações, portanto, podemos dizer que a vida não começa com o nascimento, a vida apenas continua.
O bebê viveu meses num ambiente gostoso e acolhedor, então, se faz necessário não transformar a vida num deserto, num silêncio, um abandono.
“ Nutrir a criança?
Sim.
Mas não só com leite.
É preciso pegá-la no colo
É preciso acaricia-la, embalá-la.
É preciso massageá-la”.
( F. Leboyer)
A pele do bebê é seu primeiro “órgão dos sentidos”, é seu contato com o mundo, é a sensação, é a comunicação; nos bebês a pele transcende a tudo, pôr isso é preciso tocá-lo, é preciso alimentá-lo para que atravesse a solidão dos primeiros meses de vida. Não basta o leite: sem o toque, sem carinho, mesmo com muito leite, o bebê poderá morrer de fome, de abandono, poderá definhar.
“É pôr meio do contato corporal com a mãe, que a criança faz seu primeiro contato com o mundo; através deste, passa a participar de uma nova dimensão da experiência, a do mundo. É este contato corporal com o outro que fornece a fonte essencial de conforto, segurança, calor e crescente aptidão para novas experiências..., é preciso tocar”. (Montagu)
A criança privada de toque (sensação tátil), mais tardes poderá vir a ser um indivíduo desajustado nas suas relações com o outro, tanto física quanto psíquica. Lidar com o mundo, com situações boas ou ruins, requer recurso interno e talvez a forma mais adequada é iniciar a relação com o mundo através do toque.
Os bebês tocados e massageados, são bebês que dormem melhor, ganham mais peso, choram menos, são mais descontraídos e atentos ao que acontece a sua volta, além de muito carinhosos e afetivos com os pais. À medida que tocamos também seremos tocados.
O grupo de massagem acontece duas vezes pôr semana e tem pôr objetivo orientar mães e pais ( o grupo é aberto a pais de todas as idades) de crianças de 0 a 5 anos, sobre a importância do toque no desenvolvimento psíco-físico da criança; ensiná-la fazer a massagem para bebês - Shantala ou simplesmente tocar o seu filho e, ainda, é um momento onde falam de sua ansiedade e dificuldade em relação à maternidade; é principalmente, uma tentativa de estabelecer um vínculo fortalecido entre mãe e filho.
O trabalho acontece em três momentos:
1 – É feita uma palestra na sala de espera da ginecologia – obstetrícia, inclusive para adolescentes gestantes, e sala de pediatria, com objetivo de sensibilizá-los para o toque e sua importância.
2 – O grupo de massagem acontece após a palestra, cada grupo separadamente, os grupos acontecem de maneira que o enfoque é voltado para o momento que estão vivendo.
a) Adolescentes gestantes.
b) Gestantes
c) mães e bebês.
3 – as mães retornam após 3 meses para acompanhamento e avaliação dos resultados.
Os encaminhamentos são feitos pelo pediatra, ginecologista, aleitamento materno e pôr uma demanda espontânea.
As queixas são desde bebês ou crianças que choram muito, com cólicas, baixo peso até crianças agressivas, agitadas e bebês que nasceram prematuros.
Os resultados têm sido positivos.
O trabalho de massagem com crianças no Ambulatório, ainda é um “bebê”, está completando 1 ano, é muito tocado e massageado, com certeza será uma criança e um adulto capaz de enfrentar as novas experiências com alegria.
Bibliografia
1 – MONTAGU, A.. “Tocar O significado Humano da Pele”. Summus Editorial
2 – LEBOYER, F. “Shantala Uma arte tradicional Massagem para bebês”. Editora Ground.
3 – ACHERMAN, D. “Uma história Natural dos Sentidos”. Editora Bertrand Brasil
4 – “MANUAL DE MASSAGEM MAMÃE E BEBÊ’. Natura.
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Shirley