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Nesta entrevista sobre o tema de sua palestra no Saber 2007, Shirley fala do trabalho corporal como um aliado no trabalho que estabelece o bem-estar, a saúde e o equilíbrio. Fala de seu trabalho como psicoterapeuta corporal, dos benefícios do trabalho e de como tudo isso pode ser levado para a escola.
Educador e corpo, trabalho corporal com crianças
Shirley Martins dos Santos Silva - 23/9/2007
Shirley Martins dos Santos Silva é psicóloga, psicoterapeuta corporal com especialização em Cinesiologia Psicológica - Integração Fisio Psíquica - Inst.Sedes Sapientiae - SP. Prof. de Psicologia para ensino médio na Rede Estadual de Ensino desde 1.988. Atendimento em consultório particular fundamentado na Psicologia Analítica de C.G.Jung desde 1.990 Clinica com Bebes, Massagem Shanttala. Coordenava Grupos de Massagem para Bebes, Gestantes e Gestantes Adolescente do Ambulatório do Hosp. Maternidade de Interlagos - SES-SP. Palestras e Workshops, artigos Revista Hermes - Sedes Sapientiae.
Nesta entrevista sobre o tema de sua palestra no Saber 2007, Shirley fala do trabalho corporal como um aliado no trabalho que estabelece o bem-estar, a saúde e o equilíbrio. Fala de seu trabalho como psicoterapeuta corporal, dos benefícios do trabalho e de como tudo isso pode ser levado para a escola.
Aprendaki – Como o tema "o educador e o corpo: o trabalho corporal com crianças foi abordado no Saber 2007?
Shirley Martins dos Santos Silva – O Tema foi abordado em forma de oficina, com vivencias. Acredito que a vivência é uma forma de "imprimir" na memória corporal dos participantes os conceitos apresentados. Foi uma oficina lúdica, cada um pôde sentir as atividades e falar a respeito e cada um pôde sentir uma emoção – é essa emoção que acredito ter garantido o aprendizado. Procurei ainda relacionar a atividade a conceitos psicológicos duma linguagem simples sem ser de senso comum. Foi muito gratificante partilhar meus conhecimentos com todos.
Aprendaki – Quais os materiais podem ser utilizados para este tipo de oficina em sala de aula? Por quê?
Shirley Martins dos Santos Silva – Os materiais são os comuns, do dia a dia das crianças, são os mesmos usados para adultos, crianças e adolescentes: argila, massa de modelar, colagem, giz de cera,tintas diversas, papel, revista, além é claro de colchonetes quando possível; é válido improvisar também, desde que tenha um conhecimento prévio. Normalmente, usamos material em que se possa ser projetados uma "emoção" após as vivências.
Aprendaki – Por meio das atividades corporais trabalhamos a mente? Como?
Shirley Martins dos Santos Silva – Sem dúvida. Estamos num tempo onde não é mais possível entender o indivíduo separando corpo e mente. Cada vez mais, o trabalho de integração psicofísica comprova sua eficácia. Os estados do corpo afetam o funcionamento emocional, intelectual, a reflexão; afeta as atividades do indivíduo - esta é a visão somatopsíquica (os males do corpo afetam a mente), assim como as emoções e os estados psicológicos afetam diretamente as funções físicas do corpo – esta é a visão psicossomática (sofrimento mental causando males físicos), a integração psicofísica aceita as duas abordagens. Entendo que atividades corporais agem diretamente nos estados da mente, os novos estudos das neurociências sobre sono, sonhos, os estudos sobre a pele fazem com que eu acredite cada vez mais no trabalho corporal como uma forma de psicoterapia plenamente eficaz. Através do trabalho corporal o paciente vai, silenciosamente no seu ritmo, no seu tempo, elaborando questões que surgem durante as sessões, à medida que entra em contato com as sensações causadas pelo toque, com própria respiração, com seu próprio corpo. Tudo isso é uma forma de auto-conhecimento, de elaboração de estados inconscientes surgidos lentamente durante o trabalho corporal, é uma forma de regulação entre consciente e inconsciente, onde o uso da palavra é secundário.
Aprendaki – O educador precisa de uma especialização ou não para realizar o trabalho corporal com os alunos? O que é necessário?
Shirley Martins dos Santos Silva – Uma especialização é sempre bom, dá conhecimento teórico, técnico ao educador, fundamenta seu trabalho e dá mais segurança, no entanto, acredito que a vivência pessoal do educador com o trabalho corporal, com o próprio corpo é fundamental para trabalhar com alunos de qualquer idade; todo e qualquer trabalho com humanos, requer uma experiência pessoal; é a partir da própria vivência que cada um se diferencia e aí compreende o outro. Existem alguns cursos em São Paulo, mas o fundamental é a disponibilidade do educador de trabalhar o próprio corpo, entender as técnicas corporais e projetivas como um método eficaz e comprovado de compreensão psicológica, claro que isso não é fazer psicoterapia em sala de aula, mas uma forma de trabalho plenamente eficaz.
Aprendaki – Que resultados os educadores podem esperar do trabalho corporal com as crianças?
Shirley Martins dos Santos Silva – Os resultados são diversos, tanto de ordem física quanto psíquica. Entendo que cada aluno é um indivíduo com características diferentes. Os alunos ficam mais tranqüilos – logo, mais atentos durante as aulas, mais afetivos, mais conscientes dos limites entre o Eu e o Outro, passam a ter maior concentração, maior vínculo afetivo com todos que estão no seu convívio e menos agressividade, etc. Crianças com TDAH são beneficiados com esse tipo de trabalho, crianças especiais também. O trabalho corporal possibilita uma forma de comunicação mais respeitosa e tranqüila entre os alunos, entre pessoas em geral.
Aprendaki – Qual a importância do contato corporal para o auto-conhecimento? Que benefícios se obtêm?
Shirley Martins dos Santos Silva – Imaginemos: indivíduos que não conseguem abraçar a um amigo ou olhar em seus olhos – enfim, aceitar o contato corporal como uma forma saudável de comunicação e afeto; ou ainda, crianças que não são tocadas pelos pais, depressivos que se isolam, doentes mentais... Em todas essas situações a pessoa adoece e entristece, isso falando de uma maneira simplista. O contrário disso é o toque, o trabalho corporal como forma de saúde, de contato consigo mesmo, de uma escuta que obedece ao próprio ritmo, ao próprio tempo. O trabalho corporal possibilita ao indivíduo uma maior observação de seus processos internos (físicos e psíquicos), sem julgamentos de certo ou errado, estabelece suas fronteiras e limites; a partir daí suas relações com o mundo e consigo passam a ser vistas e entendidas por um observador interno adequado e tranqüilo, um curador interno. isso possibilita uma vida mental mais organizada, mais feliz. O autoconhecimento traz felicidade, menos culpa... É, portanto, curador.
Aprendaki – Como é o trabalho de uma psicoterapeuta corporal?
Shirley Martins dos Santos Silva – O trabalho de uma psicoterapeuta corporal é baseado na psicologia enquanto ciência. É um psicólogo de formação. No trabalho usamos técnicas corporais para possibilitar ao paciente maior auto-conhecimento, maior compreensão do eu, muitas vezes, não é necessário falar, mas ouvir o próprio corpo. No meu caso, oriento todo o meu trabalho na Psicologia Analítica de Jung e uso as técnicas corporais da integração psicofísica, técnicas de relaxamento, toques sutis – são toques suaves, obedecendo a uma técnica de observação do próprio corpo. É mais uma forma de psicoterapia, ou seja, pelo contato corporal o paciente passa a ter uma escuta interior maior; sempre ao final de cada sessão, o paciente pode falar dos seus sentimentos, sensações, emoções e descobertas durante a sessão ou de sessões anteriores. É respeitado o ritmo do paciente e sua disponibilidade em receber o trabalho corporal e falar sobre ele. É uma troca significativa entre paciente e terapeuta.
Aprendaki – O trabalho corporal pode ser realizado para tratar problemas de saúde? Por quê?
Shirley Martins dos Santos Silva – Sem dúvida, evidentemente não podemos garantir cura absoluta. Acredito que a cura absoluta fica com Deus... Não somos deuses, mas podemos garantir uma grande melhora e, muitas vezes, a cura que se dá pela compreensão interior do individuo. Sabemos que depressão, ansiedade, medos, stress, tudo isso é melhorado com o trabalho corporal. Sabemos que existem trabalhos com pacientes com câncer através de meditações de cura, que é um trabalho corporal e tem excelentes resultados. Sabemos que o trabalho corporal utiliza os sentidos e isso possibilita uma reação neurológica, possivelmente, liberação de hormônios moduladores de estados cerebrais. Isso já é muita coisa, mas estamos cada vez mais descobrindo sobre o trabalho corporal em saúde, é mais um caminho.
Shirley Martins dos Santos Silva - 23/9/2007
Nesta entrevista sobre o tema de sua palestra no Saber 2007, Shirley fala do trabalho corporal como um aliado no trabalho que estabelece o bem-estar, a saúde e o equilíbrio. Fala de seu trabalho como psicoterapeuta corporal, dos benefícios do trabalho e de como tudo isso pode ser levado para a escola.
Aprendaki – Como o tema "o educador e o corpo: o trabalho corporal com crianças foi abordado no Saber 2007?
Shirley Martins dos Santos Silva O Tema foi abordado em forma de oficina, com vivencias. Acredito que a vivência é uma forma de "imprimir" na memória corporal dos participantes os conceitos apresentados. Foi uma oficina lúdica, cada um pôde sentir as atividades e falar a respeito e cada um pôde sentir uma emoção – é essa emoção que acredito ter garantido o aprendizado. Procurei ainda relacionar a atividade a conceitos psicológicos duma linguagem simples sem ser de senso comum. Foi muito gratificante partilhar meus conhecimentos com todos.
Aprendaki – Quais os materiais podem ser utilizados para este tipo de oficina em sala de aula? Por quê?
Shirley Martins dos Santos Silva – Os materiais são os comuns, do dia a dia das crianças, são os mesmos usados para adultos, crianças e adolescentes: argila, massa de modelar, colagem, giz de cera,tintas diversas, papel, revista, além é claro de colchonetes quando possível; é válido improvisar também, desde que tenha um conhecimento prévio. Normalmente, usamos material em que se possa ser projetados uma "emoção" após as vivências.
Aprendaki – Por meio das atividades corporais trabalhamos a mente? Como?
Shirley Martins dos Santos Silva – Sem dúvida. Estamos num tempo onde não é mais possível entender o indivíduo separando corpo e mente. Cada vez mais, o trabalho de integração psicofísica comprova sua eficácia. Os estados do corpo afetam o funcionamento emocional, intelectual, a reflexão; afeta as atividades do indivíduo - esta é a visão somatopsíquica (os males do corpo afetam a mente), assim como as emoções e os estados psicológicos afetam diretamente as funções físicas do corpo – esta é a visão psicossomática (sofrimento mental causando males físicos), a integração psicofísica aceita as duas abordagens. Entendo que atividades corporais agem diretamente nos estados da mente, os novos estudos das neurociências sobre sono, sonhos, os estudos sobre a pele fazem com que eu acredite cada vez mais no trabalho corporal como uma forma de psicoterapia plenamente eficaz. Através do trabalho corporal o paciente vai, silenciosamente no seu ritmo, no seu tempo, elaborando questões que surgem durante as sessões, à medida que entra em contato com as sensações causadas pelo toque, com própria respiração, com seu próprio corpo. Tudo isso é uma forma de auto-conhecimento, de elaboração de estados inconscientes surgidos lentamente durante o trabalho corporal, é uma forma de regulação entre consciente e inconsciente, onde o uso da palavra é secundário.
Aprendaki – O educador precisa de uma especialização ou não para realizar o trabalho corporal com os alunos? O que é necessário?
Shirley Martins dos Santos Silva – Uma especialização é sempre bom, dá conhecimento teórico, técnico ao educador, fundamenta seu trabalho e dá mais segurança, no entanto, acredito que a vivência pessoal do educador com o trabalho corporal, com o próprio corpo é fundamental para trabalhar com alunos de qualquer idade; todo e qualquer trabalho com humanos, requer uma experiência pessoal; é a partir da própria vivência que cada um se diferencia e aí compreende o outro. Existem alguns cursos em São Paulo, mas o fundamental é a disponibilidade do educador de trabalhar o próprio corpo, entender as técnicas corporais e projetivas como um método eficaz e comprovado de compreensão psicológica, claro que isso não é fazer psicoterapia em sala de aula, mas uma forma de trabalho plenamente eficaz.
Aprendaki – Que resultados os educadores podem esperar do trabalho corporal com as crianças?
Shirley Martins dos Santos Silva – Os resultados são diversos, tanto de ordem física quanto psíquica. Entendo que cada aluno é um indivíduo com características diferentes. Os alunos ficam mais tranqüilos – logo, mais atentos durante as aulas, mais afetivos, mais conscientes dos limites entre o Eu e o Outro, passam a ter maior concentração, maior vínculo afetivo com todos que estão no seu convívio e menos agressividade, etc. Crianças com TDAH são beneficiados com esse tipo de trabalho, crianças especiais também. O trabalho corporal possibilita uma forma de comunicação mais respeitosa e tranqüila entre os alunos, entre pessoas em geral.
Aprendaki – Qual a importância do contato corporal para o auto-conhecimento? Que benefícios se obtêm?
Shirley Martins dos Santos Silva – Imaginemos: indivíduos que não conseguem abraçar a um amigo ou olhar em seus olhos – enfim, aceitar o contato corporal como uma forma saudável de comunicação e afeto; ou ainda, crianças que não são tocadas pelos pais, depressivos que se isolam, doentes mentais... Em todas essas situações a pessoa adoece e entristece, isso falando de uma maneira simplista. O contrário disso é o toque, o trabalho corporal como forma de saúde, de contato consigo mesmo, de uma escuta que obedece ao próprio ritmo, ao próprio tempo. O trabalho corporal possibilita ao indivíduo uma maior observação de seus processos internos (físicos e psíquicos), sem julgamentos de certo ou errado, estabelece suas fronteiras e limites; a partir daí suas relações com o mundo e consigo passam a ser vistas e entendidas por um observador interno adequado e tranqüilo, um curador interno. isso possibilita uma vida mental mais organizada, mais feliz. O autoconhecimento traz felicidade, menos culpa... É, portanto, curador.
Aprendaki – Como é o trabalho de uma psicoterapeuta corporal?
Shirley Martins dos Santos Silva – O trabalho de uma psicoterapeuta corporal é baseado na psicologia enquanto ciência. É um psicólogo de formação. No trabalho usamos técnicas corporais para possibilitar ao paciente maior auto-conhecimento, maior compreensão do eu, muitas vezes, não é necessário falar, mas ouvir o próprio corpo. No meu caso, oriento todo o meu trabalho na Psicologia Analítica de Jung e uso as técnicas corporais da integração psicofísica, técnicas de relaxamento, toques sutis – são toques suaves, obedecendo a uma técnica de observação do próprio corpo. É mais uma forma de psicoterapia, ou seja, pelo contato corporal o paciente passa a ter uma escuta interior maior; sempre ao final de cada sessão, o paciente pode falar dos seus sentimentos, sensações, emoções e descobertas durante a sessão ou de sessões anteriores. É respeitado o ritmo do paciente e sua disponibilidade em receber o trabalho corporal e falar sobre ele. É uma troca significativa entre paciente e terapeuta.
Aprendaki – O trabalho corporal pode ser realizado para tratar problemas de saúde? Por quê?
Shirley Martins dos Santos Silva – Sem dúvida, evidentemente não podemos garantir cura absoluta. Acredito que a cura absoluta fica com Deus... Não somos deuses, mas podemos garantir uma grande melhora e, muitas vezes, a cura que se dá pela compreensão interior do individuo. Sabemos que depressão, ansiedade, medos, stress, tudo isso é melhorado com o trabalho corporal. Sabemos que existem trabalhos com pacientes com câncer através de meditações de cura, que é um trabalho corporal e tem excelentes resultados. Sabemos que o trabalho corporal utiliza os sentidos e isso possibilita uma reação neurológica, possivelmente, liberação de hormônios moduladores de estados cerebrais. Isso já é muita coisa, mas estamos cada vez mais descobrindo sobre o trabalho corporal em saúde, é mais um caminho.
* Entrevista realizada pela jornalista Renata Del Vecchio, colaboradora do Portal Educacional Aprendaki
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Shirley